OFICINA DE ESCRITA CRIATIVA - COMPACTA MÓDULO A

Começa nossa Oficina de escrita criativa – Módulo A: o processo criativo e a matéria prima da literatura.


Estamos muito felizes em te receber aqui na escola Acasa.


Eis algumas dicas para você aproveitar ao máximo essa experiência:


1. As aulas começam às 19:00 e terminam às 21:00;


2. A escola fica na Qi 13 do Lago Sul. É uma área comercial, de vários prédios, onde estão localizados próximos, o Carrefour, o laboratório Sabin e o restaurante Lavi. A nossa sala fica no primeiro andar de um prédio que tem no térreo a Drogaria Brasil;


3. Não é preciso trazer nenhum material específico na primeira aula. Só pedimos que tragam o espírito aberto e a curiosidade aguçada.


4. Encaminhamos dois pequenos textos e um vídeo para aquecer as turbinas da nossa atenção para logo mais.


Um forte abraço,


E obrigado pela confiança!



I.

BULA INVERSA PARA UM ESCRITOR

Luiz Augusto Carreira

Há duas condições básicas para tornar-se um escritor: escrever e ser lido. Aquilo que está guardado na imaginação de alguém não é literatura, é imaginação de alguém. Só se torna escritor quem submete essa maravilha interna a uma coisa objetiva chamada texto. E ser lido? É a consequência natural de escrever. Nem que seja por uma única pessoa, o texto escrito tem que ser lido porque é só para isso que ele foi feito.

Considerando isso, eis uma pequena lista de erros que o escritor deve evitar:

1. Pensar, e só

pensar, em escrever;

2. Escrever sem pensar;

3. Esquecer que o dito depende do não dito;

4. Temer o leitor;

5. Desconsiderar o leitor.



II.

CAVAR

Seamus Heaney

(tradução própria)

Entre meu indicador e meu dedão

a assentada caneta descansa, confortável como uma arma.

Sob minha janela, um claro som raspante

de quando a pá escava o chão de cascalho.

Meu pai, cavando. Olho para baixo

para o seu dorso teso curvado

entre as flores do canteiro

inclinado, brotar vinte anos atrás,

curvando-se ritmadamente sobre a plantação de batatas

onde ele estava, cavando.

A bota grosseira aninhada até o talo, o cabo

contra a parte de dentro do joelho, alavancado com firmeza.

Ele desenraizava altos talos, enterrava fundo o fio brilhante

para espalhar batatas novas que colhíamos

amando a sua fresca dureza em nossas mãos.

Por Deus, meu velho sabia usar uma pá

assim como o seu velho sabia!

Meu avô cortou mais mais turfa num dia

do que qualquer outro homem no pântano de Toner.

Uma vez levei para ele leite numa garrafa

mal arrolhada com papel. Ele se aprumou

para bebê-lo, e depois caiu de novo na lida

a cortar e fatiar sucessivamente, a lançar

torrões sobre seus ombros, indo cada vez mais fundo

por uma boa turfa. Cavando.

O cheiro frio do barro das batatas, o chapinhar e os tapas

da turfa encharcada, os cortes curtos do fio da pá

entre raízes vivas despertam em minha mente.

Mas eu não tenho pá para seguir homens como eles.

Entre meu indicador e meu dedão

a assentada caneta descansa.

Eu vou cavar com isto.




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